São Francisco de Sales

Segundo protetor – padroeiro – da Congregação

francis-de-salesOs primeiros Irmãos de São Vicente de Paulo escolheram São Francisco de Sales como segundo protetor (padroeiro) do seu Instituto. Modelo de caridade e de união fraterna, o Santo “doutor do amor” inspirou os religiosos, Padres e Irmãos, a se tornarem humildes e unidos uns aos outros na vida fraterna e apostólica.

A este santo padroeiro os RSV devem o espírito de abandono e de confiança em Deus, bem como o espírito de família. Pois, ele é modelo de confiança, de bondade, de sabedoria e de doçura.

De acordo com as confidências de Maurice Maignen, o “santuário privilegiado do Sr. Le Prevost era a capela das Senhoras de São Thomas Villeneuve, onde ele não se cansava de rezar aos pés da Virgem Negra, diante da qual São Francisco obteve uma graça que o libertou de uma terrível obsessão.”Obsessão que a conhecemos: se referia à salvação e à predestinação.

As Irmãs de São Thomas Villeneuve que, na época, residiam rua de Sèvres, tinham herdado, em 1806, a famosa estátua da Virgem Negra, conhecida como Notre-Dame de Bonne Delivrance, que se encontrava há séculos na igreja St-Etienne-des-Grès perto do Panteão, igreja que foi destruída em 1792.

Não sabemos exatamente o que o Sr. Le Prevost vinha pedir precisamente à Virgem Negra, mas já, neste tempo, estávamos no ano de 1843, ele já seguia os conselhos iluminadores de dois padres, Padres de Malet e Beaussier, unidos a São Francisco de Sales.

Foi, sem nenhuma dúvida, sob a influência de seus confessores que o Le Prevost fez de São Francisco de Sales um dos pilares da sua vida espiritual. O Padre de Malet, com quem o Le Prevost se encontrou regularmente durante os anos 1835-1836, era um grande devoto de São Francisco e do qual dizia no fim da sua vida: “Foi ele que me colocou na via da confiança em Deus”. Foi o Padre Beaussier, seu diretor de consciência após a morte do Pe.de Malet em 1843, que transmitiu à comunidade nascente o espírito de confiança e de abandono a Deus, e que a orientou a melhor enfrentar as primeiras dificuldades da vida comum, tomando São Francisco de Sales como protetor, como nos conta o Sr. Maignen em seu escrito sobre a história desta devoção nos primeiros Irmãos de São Vicente de Paulo. Isto ele escreveu em 1890, no fim da sua vida. (cf. extrato abaixo)

Sr. Le Prevost e São Francisco de Sales

A partir dos primeiros anos do Instituto, o Sr. Le Prevost encontrou em São Francisco lições para a vida consagrada e a vida comum. Ele orientou que fosse lida em comunidade uma obra de São Francisco de Sales sobre as exigências da vida religiosa.

Certamente, o Sr. Le Prevost encontrava em São Francisco de Sales, aquilo que podia ajudar seus irmãos no seu combate espiritual.

Eis o que o Sr. Le Prevost escrevia a dois de seus irmãos:

…..” chegaremos, se possível, ao que chegou nosso bom amigo São Francisco de Sales, ‘pedir nada, nada recusar’.”

“… rezemos uns pelos outros e, como queria São Francisco de Sales, amemo-nos já sobre a terra como nos amaremos no céu”.

Como São Francisco de Sales se tornou um dos principais padroeiros da Congregação

(Extrato da conferência feita por Maurice Maignen, alguns dias antes da festa de São Francisco de Sales, em janeiro de 1890.Saint François de Sales

“A escolha de São Francisco de Sales como padroeiro da Congregação não se deu imediatamente, desde nossa origem, como foi a de São Vicente de Paulo. A necessidade se fez sentir no final do primeiro ou segundo ano, quando o entusiasmo dos primeiros dias da nossa reunião para o serviço de Deus e dos pobres se assentou, e quando gradativamente se acentuaram, no dia a dia, as dificuldades da vida em comum.

Tomamos consciência de que a reunião, sob um mesmo teto, não era suficiente para constituir a união e a fusão dos espíritos, os corações e dos carácteres, entre três homens, tão diferentes em idade e pela educação. O apoio mútuo foi uma de nossas primeiras dificuldades para nossa grande surpresa. Então, a devoção a São Francisco de Sales, amigo de São Vicente de Paulo, nos foi aconselhada pelo Sr.Le Prevost e o pelo Sr. Beaussier. Tornou-se objeto de nossas leituras espirituais. Durante bom tempo deixamos de lado os escritos de Rodriguez. O estudo dos escritos do santo bispo de Genebra, de suas Entrevistas recolhidas pelas primeiras Irmãs da Visitação, etc.… eram nossos textos preferidos.

A suavidade nos relacionamentos, a mansidão de coração para com o próximo, a paciência diante dos acontecimentos que, às vezes, nos contrariavam um pouco e mesmo diante dos difíceis, e ainda a ternura para consigo mesmo nas fraquezas ou as quedas, foram as condições essenciais para a paz interna na vida religiosa. São Francisco de Sales é o mestre por excelência da união e a caridade fraternais.

1.Le Prevost quis que este grande São se tornasse nosso modelo e o nosso mestreSt Vincent de Paul et St François de Sales

Aquele que estuda cuidadosamente o espírito e o objetivo das nossas Constituições, que resumem perfeitamente o pensamento do nosso fundador; aquele que se aplica a adentrar em sua direção e em seus conselhos, pela leitura meditada das suas admiráveis cartas, encontrará facilmente, com o amor de São Vicente de Paulo para com os pobres, com os pensamentos, os sentimentos e a maravilhosa doutrina de São Francisco de Sales para orientar e inspirar todos os nossos relatórios com o próximo, na comunidade e nas obras.É claro que em poucas linhas é impossível resumir tanto as obras, como as virtudes, e sobretudo, uma tão profunda ciência das almas, que transbordaram na vida de São Francisco de Sales. Entretanto há um ponto no qual é necessário se deter, mesmo se não o trataremos tão a fundo. Ele é de suma importância para o Irmão São Vicente de Paulo que busca a perfeição de seu estado e que o quer realizar seriamente, em suas obras de caridade e em sua vida religiosa, que Deus espera dele.

Sem dúvida, São Francisco de Sales é o universal conselheiro para a prática da mansidão, da paz e a união na vida comum; e o é para todas as Congregações; e o é para as grandes Ordens; os seus escritos são o encanto das almas dedicadas ao estado religioso.

Nós lhe devemos o carácter com que marcou, desde nossos primeiros dias, nossa humilde sociedade: o que chamamos de “o espírito e a vida de família”. Quanto o Sr. Le Prevost o tinha em seu coração e se esforçava para difundi-lo!

A expressão “vida de família” surpreendeu, às vezes, alguns dos nossos irmãos. Estes desejavam ver reinar entre nós as formas duras das velhas grandes Ordens no lugar da simplicidade do encaminhamento e da vivência afetuosa que Sr. Le Prevost nos dava constantemente o exemplo e o preceito. Ele mantinha entre os Irmãos esta cordial intimidade, que nos fazia tanto amar a Casa e a Comunidade, onde éramos tão felizes de voltar para nos descansar à noite, após as preocupações das obras e os cansaços do dia.

A Congregação cresceu e hoje esta vida íntima é mais difícil; mas ela pode ainda ser a alma da Casa de Obras. Esta deve perpetuar na Congregação o espírito de caridade, de simplicidade e de alegria que animava nossos inícios e que é o carácter específico da nossa família.”

(Na segunda parte da sua conferência, o Sr. Maignen abordará a maneira de rezar de São Francisco de Sales, que descreve como o Doutor, por excelência, da união da vida interior e da vida ativa, “tendo demonstrado ser um expert e ensinado regras admiráveis para serem praticadas”

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