Venerável Georges Bellanger

Georges Bellanger

Georges Bellanger

O Servo de Deus Georges Bellanger nasce em 24 de maio de 1861, em Bourbourg, no Norte da França. Seu pai, Jules Bellanger e sua mãe, Félicie Bellanger, são primos irmãos; obtiveram as dispensas necessárias para seu casamento, que celebram na igreja paroquial de Looberghe (Norte) em 6 de outubro de 1847. Ao menos sete filhos nascerão desse feliz casamento: Angèle, Paul, Hélène, Eugène, Julie-Eugénie, Georges e Arthur. Os dois primeiros filhos nascem em Looberghe. Quando Adolphe Bellanger compra a parte do sítio pertencente à sua irmã Félicie, o casal Jules e Félicie Bellanger vai se estabelecer num sítio a alguns quilômetros de Looberghe, mais precisamente em Bourbourg-Campagne.

A criança parece estar de boa saúde; será batizado dois dias mais tarde na igreja paroquial de Bourbourg e o registro conservará as informações seguintes: “Georges, Louis, Auguste, filho de Jules, proprietário lavrador, e de Félicie Bellanger, casados na Igreja e habitantes desta paróquia». A madrinha, Louise Felhoën, será acolhida mais tarde no lar e agirá como preceptora, porque a família mora longe demais da escola.”

O menino tem um bom coração e manifesta uma verdadeira piedade. No entanto, deve ainda progredir, trabalhar seu caráter. Além disso, sua mãe não descuida de sua educação cristã: “Minha mãe, lembra-se Georges, me falava uma palavra do bom Deus mais de cinqüenta vezes por dia e eu não percebia… Entrava-me no sangue essa palavra do bom Deus, essa palavra de louvor, essa palavra de reconhecimento».

 

Uma viúva com órfãos

Os Bellanger já tiveram a dor de perder em 1858 o pequeno Eugène, de três anos. Eis que um grave acidente vem perturbar a serenidade familiar; desta vez é o pai que é gravemente ferido uma manhã de novembro de 1865 num acidente de carroça de cavalo. Apesar dos cuidados ministrados durante várias semanas, uma hemorragia interna continua seus danos e o conduz à morte no dia 25 de fevereiro de 1866.

A viúva fica com seis filhos. Com espírito de fé, mamãe Félicie supera sua dor e tudo enfrenta: continua sozinha a exploração do sítio, sem descuidar da educação de seus filhos.

Georges cresce. Com nove anos as cóleras são mais raras, a criança se mostra, mas maleável. Nota-se também nele uma devoção particular pela Santa Virgem. Aparece igualmente sua atração pela santa Missa. A mãe fica feliz por isso e assinala esse traço ao padre da paróquia de Bourbourg, Laurent-Louis-Joseph Hooft: “Não haveria nesta criança o germe de uma vocação sacerdotal?” Este responde: “Cultive este tesouro; uma mãe cristã, em caso semelhante, sabe muito bem o que deve fazer: oração, exemplo e vigilância”.

A vida continua, com suas alegrias, suas penas e suas preocupações. Na primavera de 1870, a família Bellanger deixa o sítio de Bourbourg-Campagne para ir se estabelecer em Moulle, na propriedade que lhe oferecem os primos Clémence Bellanger e Ferdinand Degrave.

Um milagre?

Em 1876 Georges tem quinze anos; está no quarto ano. Um dia, voltando de um passeio, tem problema para andar. Chega ao colégio com dificuldade, o médico diagnostica uma coxalgia, quer dizer uma artrite tuberculosa do quadril. Decide-se operá-lo, mas os resultados são delusos, tanto assim que o médico confia à mãe que não há mais nada a esperar: a situação é grave. Fazem novena após novena. Na quarta-feira, 31 de maio de 1876, dia de celebrar em Issoudun (Indre) a festa de Nossa – Senhora do Sagrado Coração, Georges se sente subitamente curado. O médico constata a cura completa. Como única seqüela, Georges claudicará toda a vida. No início das aulas, em 1876, Georges pode voltar ao colégio e retomar com coragem seus estudos.

O Seminário Maior

Foi no dia 1° de outubro de 1879 que Georges se apresentou ao Seminário Maior de Arras. 0 novo seminarista faz tudo o que pode para vencer a aridez dos estudos, para superar G. Bellanger Jeunesua falta de memória e para suportar nevralgias. Quer também se corrigir de certos defeitos e adquirir as virtudes sacerdotais. Tímido por natureza, o entrosamento com os colegas lhe é particularmente difícil.

No plano ascético, nota-se nele uma forte procura de penitências; isso lhe faria ultrapassar às vezes os limites da discrição. Os responsáveis querem ajudá-lo na sua devoção eucarística e desenvolver uma aptidão adquirida no seminário menor: confiam-lhe a responsabilidade da capela.

Além dos cursos de filosofia e de teologia, o regime de orações comunitárias, o acompanhamento espiritual e a vida comum, o seminário oferece conferências para nutrir a vida espiritual. Georges aprecia as intervenções de seu superior, o padre Partenart, sobre a Eucaristia, entre outras coisas. Mas toca-se igualmente no assunto dos ministérios futuros. Um dia, convidam um jovem padre de Paris, Henri Lucas-Championnière. Este último atrai a atenção dos seminaristas sobre a miséria moral e espiritual dos pobres, inclusive a dos jovens chamados para o serviço militar, os soldados. Georges ficará marcado por essa preocupação apostólica. Mais tarde receberá a informação de que esse conferencista pertence a uma jovem comunidade, os Religiosos de São Vicente de Paulo, fundada em Paris em 1845 pelo Venerável Jean-Léon Le Prevost.

No dia 22 de maio de 1880, o Servo de Deus recebe a Tonsura clerical; essa cerimônia de corte de cabelo indica uma ruptura com a vida anterior, a passagem para uma nova vida. Em 3 de junho de 1883, o bispo lhe dá as ordens menores (hoje reduzidas aos ministérios de Leitor e de Acólito). Em 15 de julho de 1883, Dom Meignan, bispo de Arras, lhe confere o Subdiaconato e em 22 de dezembro seguinte o Diaconato. Georges espera ser ordenado padre ao mesmo tempo que seus colegas, em 13 de julho de 1884, mas depara-se com o obstáculo da idade: tem somente 23 anos. De fato, o diácono deverá esperar um ano.

No dia 12 de julho de 1885, enfim, Dom Dennel confere o Sacramento a trinta e cinco diáconos: “Nós, pela graça de Deus, temos promovido à Ordem Sagrada do Presbiterato nosso querido irmão no Cristo, Georges, Louis, Auguste Bellanger, já encarregado da ordem sagrada do Diaconato e encontrado, após exame, à altura do encargo” 0 novo padre continua seu apostolado junto aos seminaristas.

 

Professor

Entretanto, o bispo havia nomeado o diácono Bellanger professor no seminário menor de Arras e o tinha encarregado da classe do sexto ano. Algumas semanas Bellanger 9mais tarde, o jovem professor descrevia sua função: “A vida é bem diferente para mim. Em lugar de tirar proveito da ciência dos outros, devo confiar a jovens inteligências o pouco de ciência que pude adquirir até agora. Ensino no sexto ano e tenho trinta e dois meninos de dez a quatorze anos, cheios de boa vontade e de inteligência para a maioria”. Para com seus alunos ele manifesta uma bondade sobrenatural e, graças a seu temperamento voluntarioso, sabe se fazer respeitar.

Em 1887 ele recebe do superior do Seminário Menor, o Sr. Deramecour, a responsabilidade da Casa dos Santos Anjos, situada no número 89 da rua Baudimont, em frente do seminário. Essa casa foi fundada uns vinte anos antes, com o intuito de preparar os meninos do nono e do décimo ano a melhor aproveitar os estudos que farão no Seminário Menor. 0 novo diretor fica ali até em 1890.

Sua influência se estende às outras divisões do Seminário Menor, onde assegura ainda o ministério da confissão. Ele se mostra igualmente um excelente conselheiro espiritual.

O capelão militar

Um vigário coadjutor, Pe. Zéphir Chatelain, cuida de uma obra militar, que achou quase abandonada. Procura ajuda ocasional para o serviço junto aos soldados; um dia, pede a seu amigo, Pe. Georges Bellanger, para ouvir as confissões dos soldados. Eis aí o evento providencial graças ao qual o jovem padre descobrirá sua verdadeira vocação! O padre continua seu engajamento ocasional na obra militar, ao mesmo tempo que assegura seu primeiro ministério. Em 1890 Dom Dennel libera o padre Bellanger da direção da P. Bellanger - Cercle Militaireterceira divisão, quer dizer da Casa dos Santos Anjos e o nomeia oficialmente capelão militar da guarnição de Arras, com a missão de cuidar das obras militares da diocese.

Os princípios apostólicos do novo responsável se precisarão com o tempo. Mas ele já põe nisso seu espírito de fé, desenvolve o culto da Eucaristia no Tabernáculo e a devoção marial. Quer que nas obras dos soldados Nosso Senhor tenha o primeiro lugar! Em primeiro lugar o soldado “vem ao pé do Santíssimo Sacramento como o homem de guarda que não diz nada, que não faz nada, mas cuja postura é correta; um pouco de cada vez seu coração se aquece sob os benfazejos raios do Sol Eucarístico e ele acaba crendo com uma fé prática na presença real de Nosso Senhor…».

A devoção para com a Santa Virgem terá igualmente um espaço importante na obra militar. A partir de sua devoção pessoal, o capelão apresenta a seus jovens a Virgem Maria sob o nome de Nossa Senhora do Bom ConselhoS22C-6e15110208590. Assim, quando o capelão inaugura a nova residência da obra militar na rua dos Bouchers-de-Cité, em 1890, ele substitui a estátua pela imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho.

Essa imagem lhe agrada muito; foi-lhe vendida por um mascate italiano em 1884 ou 1885. Dizia dela: é uma imagem “em que tenho uma confiança sem limite, cada vez que preciso de conselhos». No ano seguinte ele precisa sua devoção assim: «Sinto-me cada vez mais atraído por esta doce Madona cujos traços são tão celestes.”

Bellanger

Após várias provas da intervenção da Santa Virgem, o capelão quer tributar glória a Nossa Senhora do Bom Conselho e organiza uma coroação da imagem. Os soldados da Casa de família, os antigos militares e outros benfeitores querem oferecer à imagem milagrosa uma magnífica moldura, verdadeira jóia de ourivesaria: “A moldura inteira realizará três grandes pensamentos, escreve o capelão.

Em cima a coroa de cobre (talvez em ouro, se alguns reis magos trouxerem à Virgem Maria e a seu divino Filho o ouro de seus cofres ou suas jóias) dirá a todos e sobretudo a Maria que a beleza toda celestial de sua Imagem lhe assegura para sempre o reino sobre os corações, como seu título tão doce, tão eficaz, de Mãe do Bom Conselho a faz rainha das inteligências para sempre: “Regni ejus non erit finis“, seu reino não terá fim! Essa grandiosa palavra da Santa Escritura será gravada sobre o bronze e explicará a coroa. Sobre a coroa as chaves e esta outra palavra do Evangelho: “Erat Mater Jesu ibi“, a Mãe de Jesus estava lá, dirão à Virgem Maria que seus filhos a constituem guardiã de suas almas e de suas casas, como ela foi um dia guardiã de Jesus e da pequena casa que o abrigava, como ela é hoje a guardiã do Paraíso.

Ao pé da Santa Imagem, quer dizer em nosso lugar, um lindo coração em cobre representará todos os corações dos filhos de Nossa Senhora do Bom Conselho. O texto “Accepit eam discípulus in sua“, o discípulo a recebeu em sua casa, apresentará no bronze este terceiro pensamento. O conjunto será em bronze dourado, exceto o coração e a coroa em cobre…»

A festa de 6 de março de 1898 é uma linda coroação e uma ocasião de devoção maior.

A fim de favorecer essas duas “devoções” eucarística e marial, o padre Bellanger precisa de uma capela, de um sacrário que dela é o coração! Por isso o padre organiza uma capela…. Uns sBellanger 11uperiores do Exército lhe ordenam de fechá-la. No ano seguinte o capelão abre um pequeno oratório perto de seu escritório; depois, ocupa a capela do Seminário Menor para grupos mais numerosos. Para a adoração noturna, ele transforma uma sala numa casa particular. Mais tarde pode abrir uma capela em sua Obra. De domingo, por causa do grande número dos soldados, tomou o costume de acolher seus soldados na capela de Notre-Dame des Ardents.

O capelão continua a descrever seu papel: “É bom que o soldado tenha um padre, sempre o mesmo, um padre especial, que conheça todas as misérias do soldado, todas as suas penas, um padre que as visitas, mesmo inoportunas, mesmo intermináveis, nunca incomodam. Precisa-se de um padre que saiba ir à sua procura em todo lugar onde puder o encontrar: nas igrejas, nas salas de hospital, mesmo na esquina de uma rua. »

O capelão favorece o apostolado dos leigos pelos leigos: “Entre nossos soldados, lembra-se, havia dois santos que nunca cansavam de rezar, nem de se sacrificar, nem de se doar por sua Mãe do Céu… Durante noites inteiras, reuniam-se para rezar Rosários, seja ao pé de algum sacrário, seja nos armazéns militares de que eram os guardiães. O papel dos guardiães os obrigava a tomar suas refeições em particular, aproveitavam disso cada sexta-feira para jejuar com pão e água. Nunca passavam um dia sem comungar, seja de manhã, seja ao meio-dia, algumas vezes à noite. Sempre em busca de colegas a trazer ao padre e ao Bom Deus, sua vida era somente um longo ato de caridade…”

Um outro grande meio sobrenatural continua sendo para o Pe. Bellanger a pregação. Ela é simples, fácil, apreciada. O padre não improvisa, prepara cuidadosamente seus sermões, os escreve. Muitas vezes instala-se diante do sacrário, pensando nos que quer atingir, recomendando-os a Nosso Senhor e à Santa Virgem. Não somente prega no domingo e nos dias de festa, mas sabe organizar retiros, para Natal, para a Páscoa, para os conscritos, etc.

O Sr. Bellanger não se contenta em orar e fazer orar pelos soldados de sua obra e os da guarnição de Arras; pensa em todos os soldados do Exército francês. Procura auxiliares, pessoas fervorosas. Entre as primeiras a responder, notemos sua irmã Helène e o Carmelo de Saint-Omer, as Clarissas de Arras e os futuros padres da diocese. Depois, reúne paroquianos de Houlle, onde tem familiares e onde passava a maior parte de suas férias no tempo de sua adolescência. “0 Bom Deus, anuncia ele no início de 1888, me enviou exercer meu ministério de padre no meio dessa parte tão abandonada da grande família cristã… quereria que em todos os lares se reze cada noite em comum pelos defensores da pátria”.

Não podendo se fazer missionário dessa cruzada pela palavra e em todos os lugares, o Sr. Bellanger se faz missionário pela escrita. Escreve aos padres, aos seminaristas, às famílias cristãs, aos religiosos e às religiosas, e isso se repete durante vários anos, na proximidade do Natal, na primavera, durante

O apelo à vida religiosa

0 Espírito Santo leva o jovem padre a intensificar sua vida espiritual. Em 1886 o padre Georges Bellanger se sente atraído para a consagração a Maria, segundo a espiritualidade de São Luís Grignon de Montforte; ele se comprometerá para sempre com Ela em 6 de setembro de 1890. Através de toda sua vida de oração e de seu zelo pelo próximo, o bom padre procura ainda seu caminho, pensa em tornar-se religioso. Sonha com isso há um certo tempo… talvez desde os anos do Seminário Maior, após a visita do Padre Raoul de Préville e uma conferência do Padre Henri Lucas-Championniére.

Feito capelão militar, Georges Bellanger escreve a esse padre experimentado, que tão beG. Bellanger, le secret de la réussitem conhece a alma dos soldados; recebe encorajamentos preciosos no tocante a seu método de apostolado baseado no sobrenatural. Um dia o padre Georges pede a esse conselheiro algumas precisões sobre o Instituto religioso do qual ele é membro. Assim é que descobre os Religiosos de São Vicente de Paulo. A finalidade da Congregação, as regras, as devoções em uso, a história e o gênero de vida que se vive ali, todas essas coisas o interessam vivamente e parecem responder admiravelmente às suas aspirações.

Após maduras reflexões e orações, o padre Georges Bellanger toma providências. Dia 3 de fevereiro de 1894, vai a Paris encontrar os Religiosos de São Vicente de Paulo para assegurar-se do acolhimento eventual na Congregação; em seguida encontra seu bispo, Dom Alfred Williez. Este último acaba respondendo: “Nada o impede de viver desde já em união de regra e de coração com os Irmãos de São Vicente de Paulo… Mas só vejo isso como sendo possível no momento atual. Decidiremos o resto mais tarde.” E o bispo acrescentou: “Percebo que o entristeço; o ato de obediência que peço será uma excelente preparação ao voto de obediência.”

Apesar do adiamento que deve viver, o padre Bellanger, porém, ganhou um ponto: ele é postulante nos Religiosos de são Vicente de Paulo.

Realização da vocação religiosa

Vendo que a permissão de se tornar religioso está demorando, o Servo de Deus pede às Clarissas de Arras, no começo de fevereiro de 1896, de orarem por um favor especial, que ele tem a peito; sugere uma campanha de Ave Maria. No fim do mês de fevereiro, 30.000 Ave Marias foram dirigidas à Mãe do Céu, mas nada se prevê… é preciso continuar a intercessão da Virgem. No fim do segundo mês, uma resposta chega providencialmente.

Dia 19 de março de 1896, o Presidente do Patronato de Arras procura religiosos para o Patronato de Arras, pensa nos Religiosos de São Vicente de Paulo. 0 Padre Emile Anizan o acolhe, na ausência do Superior Geral. No decorrer da conversa este último deixa escapar esta frase: “Se pudessem obter do bispo de Arras que nos desse o Sr. Bellanger, isso facilitaria muito a fundação, creio eu, mas fora dessa hipótese, entre nós, não acho a coisa possível. Não temos pessoal.”

Desde o dia 22 de março, o Sr. Planque põe o bispo ao par da confidência recebida. Dom Williez responde imediatamente: “Já, já permito ao Sr. Bellanger de entrar nos Irmãos de São Vicente de Paulo, desde que seja tomado o compromisso de nunca o retirar de Arras”.

O Noviciado

Fortalecido pelo acolhimento favorável de seu bispo e da Congregação religiosa, o padre Bellanger se retira nos Cartuxos de Montreuil e consulta Dom Pollien. Este o tranqüiliza dizendo-lhe: “Seguindo essa vocação, não há dúvida que você está cumprindo a vontade de Deus, única coisa da qual se deve fazer questão. Portanto, não hesite, vá para frente!”

Na segunda-feira, 4 de maio, o postulante se apresenta ao noviciado de Paris. O tempo de preparação ou postulantado prossegue até o dia 19 de maio; então o padre Georges Bellanger se torna noviço. Mas será um noviciado especial; ele é padre, continua sendo capelão militar, deve se ausentar muitas vezes. Cada quinze dias, por exemplo, vai a Arras prosseguir sua missão de capelão militar. Seu mestre de noviciado, o Padre Louis Jardin, não vê nisso demasiados inconvenientes, sendo que os outros noviços vão cada domingo prestar serviço nas obras de Paris dirigidas pelos mesmos Religiosos.

No início de outubro de 1896, porém, nosso noviço deixa Paris para ir preparar o alojamento da pequena comunidade, composta de três religiosos, entre os quais dois são padres. A fundação “se chamará a Casa da Ave Maria. Continuarei a cuidar dos militares, tentaremos também todas as obras de pobres…”

O tempo do noviciado, no entanto, não finda com a mudança de residência. A formação à vida religiosa continua agora na comunidade de Arras e com os conselhos do Padre Emile Anizan. 0 Pe. Bellanger aprende, entre outras coisas, a conhecer o carisma apostólico da Congregação. 0 que lhe chama a atenção sobretudo é a atenção prestada aos mais pobres. “Tenho a intenção, falava ele em 1894, de entrar na Congregação dos Irmãos de São Vicente de Paulo, congregação que, aos três votos ordinários de religião, acrescenta, por assim dizer, um quarto, o de cuidar somente do povo, somente das classes abandonadas…”

A profissão religiosa

No dia 11 de maio de 1898, o noviço pede ao Superior Geral a graça de se consagrar a Deus: “Autorizado por nosso querido mestre dos noviços e por meu confessor de Arras, venho pedir-lhe o favor de fazer minha profissão religiosa na Congregação dos Irmãos de São Vicente de Paulo. Nunca tive outro desejo, desde que o Bom Deus me escolheu por seu sacerdote, a não ser o de consagrar minha vida a todos aqueles que são a bela herança de nossa Congregação”.

Enfim o dia da profissão religiosa chega. A cerimônia realiza-se na capela da casa de Chaville, dia 2 de julho de 1898.

No dia 2 de julho de 1901, o Padre Bellanger é chamado a renovar seus Votos; engaja-se, portanto, por votos temporários por sete anos. A cerimônia se desenrola na capela de Nossa Senhora da Salete em Paris.

Apenas algumas semanas mais tarde, seus superiores lhe oferecem de pronunciar seus votos perpétuos; ele o fará de muito bom grado em 7 de setembro, com outros professos temporários.

O dom total estava lá desde o início; e as etapas foram percorridas. O religioso prossegue sua união com o Cristo e a Igreja segundo sua vocação de Irmão de São Vicente de Paulo.

Uma doença sorrateira

Georges Bellanger tem uma saúde frágil, mesmo se algumas semanas após seus primeiros votos ele diz: “Nada me cansa, eu sou de aço”. Desenvolve um zelo extraordinário e se impõe um pesado programa de penitências. No seu ponto de vista, nunca faz o bastante nem pelo Senhor nem por Nossa Senhora; sua ambição é de dedicar-se ao máximo, expressão que volta diversas vezes em sua correspondência. Nessas condições, o menor mal-estar ou resfriado constitui um risco de se complicar em perigosas proporções. E o que acontece durante

O inverno de 1898-1899. Pega um resfriado do qual descuida e que, em março de 1899, se transforma em extinção de voz; deve, portanto, abandonar a pregação. Uma pequena tosse nervosa também o afeta, perde o sono, deve se retirar em sua família.

0 Pe. Bellanger não se preocupa demais com seu ministério junto aos soldados: “Tenho uma tal convicção de que é a Santa Virgem que faz o oficio de capelão militar de Arras, e que, se faço algo de bom, é por meu Rosário…” No dia 9 de abril ele diz: “como essa pequena parada na minha vida me terá sido benéfica!” e no dia 22 de abril pede a licença de voltar definitivamente para Arras; essa volta acontecerá no dia 6 de maio. Retoma, portanto, seu ministério com entusiasmo…

Em 9 de setembro um acesso de tosse aborrece o Padre e cospe um pouco de sangue: é preciso ainda muito descanso. Por isso, no dia 11 de outubro de 1899, ele volta a Moulle.

Em dezembro sente certas falhas de saúde: “pouca coisa, mas tiveram medo, e eu também…” As semanas passam… o descanso se torna pesado para o capelão cheio de zelo; em 26 de dezembro, deixa entrever um pouco de tristeza…

Acerca do dia 20 de março, começam a chegar boas notícias da parte dos médicos… Mas um fato vai mudar os projetos apostólicos do Padre Bellanger. O mestre dos noviços, Louis Jardin, está gravemente doente: Não poderá continuar sua missão por mais tempo. “Quem o substituirá no noviciado?…”

O Mestre dos noviços

A doença obrigou o capelão militar a se afastar de seu campo de apostolado há muitos meses. O médico entendeu que a obra militar “matava” seu capelão.Bellanger 1

Poderia razoavelmente retomar o mesmo ministério? Eis que o mestre de noviços, no seu leito de moribundo, sugere seu substituto: “Partirei contente se derem o Pe. Bellanger ao noviciado”. Sem esperar que o posto esteja vago, o Superior Geral se apressa em sondar o terreno, o que perturba o Servo de Deus: “pensai na responsabilidade que vai pesar sobre mim! Não conheço bem, tenho medo de não ter o espírito da congregação e deveria dá-lo aos outros; fui um tão coitado religioso até agora, e deveria fazer religiosos !».

O Mestre dos noviços falece em 17 de abril de 1900. Um mês mais tarde o Superior Geral contata Dom Williez. Este último compreende a situação e aceita a saída do Padre Bellanger: “E uma grande perda para Arras, mas não posso me objetar”.

De seu lado o Padre Geral espera que o novo mestre dos noviços assuma suas funções no dia 1° de junho. Mas é depois de muitos atrasos, devidos aos acidentes de saúde, que o Padre Georges Bellanger se apresenta enfim ao Noviciado no 1° de outubro de 1900. O assistente geral e conselheiro espiritual, o Padre Émile Anizan, o espera na Estação do Norte, feliz de acolhê-lo em boa forma, alegre e desejoso de se pôr a trabalhar. Mas “ainda tosse e está fraco… Acredito que, quando voltar, será bom fazê-lo examinar por um médico de Paris», sublinha ele a seu Superior Geral no dia seguinte.

Na sua primeira conferência aos postulantes e noviços, o Padre Mestre espanta seus ouvintes por estas palavras: “Iniciando meu ministério entre vocês, começarei demitindo-me das funções que acabam de me confiar meus superiores. Fiquem tranqüilos, eu, seu pobre mestre pelo título, declaro que deposito minha demissão entre as mãos de nossa Mãe do Céu. É ela que será mestra dos noviços e que, de nós, fará santos».

O Padre mestre quer abrir seus jovens à graça própria da Comunidade religiosa. “Dar a meus irmãos, os noviços, o amor da Santa Virgem e da Congregação”, tal é o objetivo a atingir.

Como seu fundador, o Pe. Jean-Léon Le Prevost, o mestre dos noviços quer formar religiosos plenamente dedicados; diz a um deles: “Você está muito errado enfiando-se na vida religiosa, se quer viver somente como meio-religioso. Seja por inteiro o que você é!”. Com essa finalidade, cada manhã uma oração será rezada para conjurar a Santa Virgem de querer afastar do noviciado todos aqueles que não seriam, mais tarde, bons e verdadeiros religiosos. Não deixa, também, de insistir sobre a caridade fraterna: “Que seu olho seja bom!…

Você não pode conhecer as intenções de seus colegas, de seus irmãos. Não se pode viver em comunidade, se a caridade nela não reina”. O mestre de formação quer somente homens de oração, de humildade e de trabalho. Quer fazer deles santos, homens mortificados, capazes de renúncia e de sacrifícios. Tem-se a impressão de ouvir aqui o Venerável Jean-Léon Le Prevost, quando procurava pessoas para fundar sua Congregação (Cartas, 11.11.1844). Um grande desejo se manifesta nas seguintes palavras: “Como sinto a necessidade de fazer do noviciado uma sementeira de santos para as obras do futuro! Vou me esforçar para deixar-me penetrar mais do espírito tão sobrenatural de nosso santo Fundador [o Venerável Jean-Léon Le Prevost], para irradiá-to ao meu redor… Temos admiráveis santos entre nós e não pensamos em fazê-los conhecer, em fazê-los amar e suplicar. Quando digo nós, falo de mim, que tenho a missão de fazer amar nossa querida família”.

O Padre dá a seus noviços a ocasião de exercer o apostolado; estes, com efeito, vão de vez em quando nas Obras da Congregação ou junto aos doentes: “Cada semana nossos noviços levam aos quatro cantos de Paris as esmolas do Cardeal e, na volta, vêm me prestar conta do que encontraram ao longo de seu caminho. Aqui, é toda uma família sem matrimônio cristão, sem batismo; mais para frente, doentes que não viram o padre, que às vezes recusam sua visita. Não poderiam acreditar o número incalculável de crianças sem Batismo e sem Primeira Comunhão…” (17 de março de 1901).

A saúde do mestre dos noviços sempre deixa a desejar. Seus superiores lhe propõem, em junho de 1901, de se ausentar alguns dias. No dia 2 de julho de 1901, quando renova seus votos, o professo se exprime com uma voz opressa e quase extinta. Passará, portanto, alguns dias em sua família, do 27 de julho ao 11 de agosto de 1901.

Na volta, uma enorme tarefa o espera: organizar o êxodo do noviciado para Tournai, na Bélgica, em conseqüência da Lei do 1° de julho de 1901.

Uma Lei contra as congregações religiosas

De que se trata? Após umas criticas vindas dos Jesuítas e dos Assuncionistas, por seu Jornal La Croix, o ministro republicano Waldeck-Rousseau inicia uma luta contra todas as congregações. Feri-las é atingir o catolicismo em um centro vital. Tal parece ser o objetivo da lei do 1° de julho de 1901 sobre as associações. Liberdade completa é dada a todas as associações, fora das associações religiosas ou congregações. Aliás, por um raro ilogismo, permite-se a certos membros de congregações de subsistir, através de uma autorização do Estado. A maioria das congregações recusam de pedir essa autorização, estimando a lei injusta e abusiva. Para a Casa-Mãe e o noviciado, é preciso, portanto tudo abandonar e partir para o exílio. A sorte das Casas de obras é diferente: legalmente pertencem a leigos ou às Conferências da Sociedade de São Vicente de Paulo.

A mudança

No dia 27 de setembro, uma carta ilustra a situação precária do grande transtorno: “Não tenho mais nada, nem móveis, nem papel conveniente; escrevo para você em cima de uma pequena tábua e numa folha de papel deixada pela providência no meio das ruínas de nossa casa. E que, está vendo, nosso mobiliário toma hoje a direção do exílio; a casa-mãe deixou a França esta manhã; o noviciado vai segui-La segunda-feira ou terça-feira próxima…”

A viagem para Tournai acontece no dia 30 de setembro. O Noviciado se instala num antigo asilo, no n° 16 da rua dos Augustins: “Nossa casa é o ideal de um noviciado. Tudo tem um ar de grande austeridade, um verdadeiro aspecto monástico”. Nas primeiras noites, os jovens se deitam sobre a palha aguardando o mobiliário que começa a chegar; são alegres e joviais.

E a vida do noviciado torna a ser cada vez mais regular: “Após os grandes cansaços, nossos irmãos quiseram retomar logo seus mesmos hábitos; a hora santa recomeçou…” 0 Padre Bellanger cumpre sua missão na humildade e na confiança: Deus está aí; a Virgem Maria é Mestra dos noviços… “Uma palavra que você me diz em sua boa carta de ontem me fez um grande bem, mas é para mim um mistério. Será possível que, tendo passado meu ano no contexto mais chão, eu, no entanto, tenha feito algo de bom?” Por outro lado, as forças físicas não são suficientes para a tarefa; a doença prossegue sua corrida inexorável.

Última doença e morte

Nos primeiros dias de março de 1902, o Servo de Deus deve se privar da Santa Missa. Conhece noites sofridas, não dorme mais, seu andar se torna ofegante e cada vez mais penoso. No dia 12 de abril, a ordem do médico é formal: é preciso levar o doente na sua família. Os superiores concordam, querendo tudo fazer para salvá-lo. Somente ele apresenta objeções: “Quero trabalhar aqui até o fim. Tenho o Georges Bellanger Vaugirardpressentimento, desta vez, que, se parto, não voltarei mais para cá».

Em 14 de abril, o Padre está em Moulle, na sua família, na casa de sua irmã Angèle e de seu irmão Paul. A casa fica bem perto da igreja paroquial. “Estou sempre no deserto, aí onde mereço estar, sem missa, sem comunhão, sem breviário, sem noviços. Vou melhor, porém, em muitos aspectos… Não é alegre, mas enfim é a vontade do Bom Deus, portanto é excelente. Estou persuadido que suas Ave Marias me trarão de volta, no fim do mês, no meio de vocês (os noviços)…”

“Tinha chegado a um grau de cansaço tal que tudo estava quebrado, o estômago, o fígado, etc… Aqui, estou melhorando, mas fala-se de várias semanas, talvez de vários meses de descanso…”

O mestre se inquieta também pelo noviciado: “Qual o bem que eu ainda fazia às suas almas [aos noviços] quando me retirou do noviciado? Ah! se o Padre Superior tivesse alguém, faria meu sacrifício; não acredito no bem que fazia.”

Quem o substituirá? perguntava o Padre Bellanger a respeito do mestre dos noviços precedente. Agora ele pergunta a si mesmo: quem vai me substituir? Entretanto o Padre Chamussy, o sócio, faz o que pode e o Padre Emite Anizan, Assistente Geral, intervém em caso de precisão. No mês de maio o Padre Charles Maignen é nomeado provisoriamente responsável do Noviciado. O doente o saúda: “Tenha certeza que farei tudo no céu e na terra para poder liberá-lo, logo que for possível, para outras tarefas importantes” e acrescenta sua esperança de sarar: “Fiquei curado milagrosamente de uma doença mortal com a idade de 15 anos, na noite do 31 de maio; minha família pede e espera a mesma intervenção da Santa Virgem. O dia 31 de maio é a festa de Nossa Senhora do Sagrado Coração… o Santo Breviário me foi devolvido no dia de Pentecostes [18 de maio], mas ainda não a Santa Missa… Acho o médico um pouco feroz, no entanto obedeço a ele”.

As provações se acumulam; no dia 21 de maio o Padre Georges informa disso o Padre Sócio: “0 bom e venerado patriarca da família, não meu pai, mas o que o substitui desde que o Bom Deus nos fez órfãos, há 36 anos, [o tio Adolphe] acaba de falecer após quatro dias de doença”. E no 26 de maio, fala de uma doença séria de sua irmã Eugénie, que se esgotou ao cuidar de todos os seus mais novos de uma família de dez filhos.

No dia 2 de junho o doente escreve a seus noviços: “A Santa Virgem ainda não fez, no dia 31 de maio, o pequeno milagre que lhe haviam pedido tão bem suas fervorosas e inúmeras orações. Sinto, porém, que melhorei e, acredito, trata-se de uma melhoria bastante séria; assim todos vocês constataram que em Tournai eu não podia mais dar a volta do jardim uma só vez sem me encontrar sem fôlego; esta manhã, passeei durante mais de uma hora com boas pernas e bom fôlego. Continuo sendo privado da Santa Missa e da Santa Comunhão, é verdadeiramente um jejum prolongado…”

“Quanto a mim, sou sempre mais ou menos o mesmo; esses maus dias que acabamos de ter não me fazem progredir. Não ouso mais dizer: “E bem demorado!” seria uma falta contra o abandono».

Na doença, no sofrimento, o edifício espiritual se consolida, com a força do Espírito Santo.

No dia após a festa de São Vicente de Paulo [19 de julho] o Padre Geral recebe o boletim medical seguinte: “Tenho uma doença onde a obra de reconstituição é tão lenta; seria impossível mudar um pouco as notícias. As cartas seriam um pouco como as confissões das beatas… A respiração é sempre difícil, quando faço somente alguns passos, e a tosse não me deixa muito tranqüilo durante o dia; as noites são boas neste ponto. Um pequeno acesso de febre que trouxe de Tournai e que é o resultado da fraqueza, me visita ainda muitas vezes”.

A tuberculose entrou desde alguns dias em sua fase terminal; ela é galopante; toda esperança é perdida. A última celebração da Santa Missa do Padre foi no dia 24 de julho; no dia seguinte, no momento de começar a missa, sente um mal-estar e cospe sangue. Dia 26, uma nova e mais abundante hemorragia obriga o doente a voltar para a cama. Fazem-lhe aplicações de gelo. Imóvel no seu leito todo manchado de sangue, resignado a tudo, segura seu crucifixo com uma mão e, com a outra, um pequeno quadro de Nossa Senhora do Bom Conselho…

A doença prossegue sua obra impiedosa. 0 Padre acha ainda a força de brincar no que parece ser sua última carta, escrita de sua cama e franqueada no correio dia 3 de agosto: “Estou voltando do Polo Norte; deixei ontem país das geleiras [uma forte febre, tratada com aplicação de gelo]; o médico diz que estou melhor e me dá esperança; permitirá que me levante, se não acontecer nada esta semana…”

Dia 8 de agosto, uma nova e muito forte hemorragia vem aumentar a fraqueza. Os dias seguintes são momentos de agonia. Uma semana mais tarde, dia 15 de manhã, percebe-se que doente se exprime com dificuldade. No dia seguinte, às 06h 30, o Sr. pároco traz a Eucaristia. Pelas oito horas o médico acha o doente tão atormentado o pulso tão ruim que lhe diz em particular: «Sr. Georges, me havíeis dito que contáveis comigo para vos prevenir quando seria tempo para receber os últimos sacramentos, acho que é agora mesmo.» As 09h 30, o moribundo recebe o sacramento dos doentes, cercado por sua família. Logo em seguida, o Padre pede: “Sr. pároco, quero renovar meus votos de religião” e lentamente ele pronuncia a fórmula, acrescentando no fim: “Morro religioso, filho de minha congregação”… Depois, apertando seu terço nas suas mãos, acrescenta: “Vou comparecer diante do Bom Deus; uma só coisa me consola e me traz segurança, são minhas Ave Manas. Neste momento, somente isso é verdadeiro!”G. Bellanger

De vez em quando distinguem algumas palavras: “Orai a fim de que não perca coragem!” “Minha boa Mãe, vinde me buscar!” “Maria, minha Mãe, amo-vos!». Ao pároco que está perto dele o moribundo confia: “Tenho medo de perder paciência; posso ficar tranqüilo? Quando tiver perdido consciência, dai-me uma última absolvição sob condição”.

O moribundo se dirige em seguida à sua irmã: “Prometa-me que depois de meu último suspiro até meu sepultamento o rosário será rezado sem parar ao redor de meu corpo. — Quando estiver no cemitério, mande gravar sobre minha cruzinha de madeira estas simples palavras: Ave Maria. Mas, afinal, não faça nada sem falar a meus superiores, por medo que haja nisso pretensão».

Pelas 19 horas o moribundo está no fim mesmo. Seu olhar se torna vago e confuso; balbucia ainda algumas palavras: “Não sei logo mais onde estou… Fiat!… Maria !… minha Mãe…” São essas suas últimas palavras. Pelas 19h30, o Servo de Deus expira docemente ao som do Angelus (o Anjo do Senhor), no dia após da festa da Assunção. Apaga-se com a idade de quarenta e um anos, dois meses e vinte e três dias.

As obséquias

As obséquias são fixadas para a quarta-feira, 20 de agosto, na igreja de Moulle. São ao mesmo tempo simples e grandiosas.

Uma reputação de santidade que se amplia

No mesmo dia da morte do Servo de Deus, seu bispo, Dom Williez, escreve: “E um santo padre que perdemos. O estimava, o amava muito. Derramou sobre toda a diocese um perfume de vida sacerdotal que a beneficiará por muito tempo. Oraremos por ele, mas espero que ele não nos esquecerá junto de Deus».

E os confrades religiosos não estão ausentes neste concerto. “De todos os lados, podemos ler numa carta de um confrade religioso, ouve-se uma só voz para repetir que o santo morreu!”

Georges Bellanger brilhou por seu amor a Deus, por seu espírito de fé, por seu amor à Santa Virgem, por seu amor ao próximo, por sua humildade, por sua paciência nas provações do ministério e da saúde, por sua obediência, etc.

Entre 1938 e 1942 a diocese de Arras conduzia um inquérito oficial sobre as virtudes do Servo de Deus e levava o resultado de suas buscas ao conhecimento da Congregação das causas dos santos.

Em 21 de dezembro de 1998, o Soberano Pontífice proclamava o Servo de Deus «heróico em suas virtudes» e lhe dava o título de «Venerável».

A Igreja pede agora ao Senhor para sancionar as virtudes do Servo de Deus concedendo um milagre por sua intercessão. Poderia então glorificar o Padre Georges Bellanger e proclamá-lo «bem-aventurado».

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Lettres de Georges Bellanger
édition complète

Georges Bellanger – Homme de bon conseil
par Roger Laberge s.v.

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