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História dos RSV no Brasil
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No dia 23 de janeiro de 2008 os RSV celebram 50 anos de presença no Brasil. Apresentamos umas páginas da história que marcou os primeiros anos em Marília
1957 – 1963
Marília - 1957
A Santa Casa de Misericórdia de Marília acaba de construir um EDUCANDÁRIO para menores pobres e órfãos. Desejam inaugurá-lo para o ano letivo de 1958.
O Bispo de Marília, Dom Hugo, procura uma congregação religiosa que possa tomar conta da obra. O Irmão Luiz dos Irmãos do Sagrado Coração sugere os Religiosos de São Vicente de Paulo de Quebec.
Dom Hugo por intermédio de Mons. Luso escreve ao provincial dos RSV no Canadá, o Pe. René Dumas (Pe. Renato). O Superior Geral está em visita no Canadá. Os dois decidem de vir para o Brasil visitar a obra que o Bispo de Marília nos oferece.
No dia 8 de dezembro, o Pe. Dumas, provincial com o Pe. Houdiard superior geral, viajam secretamente para o Brasil. Chegam em Marília no dia 11 de dezembro e se encontram com Dom Hugo no dia 12 sob a proteção de Nossa Senhora de Guadalupe padroeira da América Latina. Tudo acertado voltam no Quebec no dia 13. O Conselho provincial canadense se reúne com o superior geral no dia 14 e aceita a nova fundação no Brasil. Tomarão conta de um orfanato e de uma paróquia de periferia. O Pe. Emile Fournier conselheiro se oferece para ser o 1º superior da obra no Brasil.
Pensando nas casas de formação, se aceita uma grande propriedade em Salgado Filho, povoado de 5000 habitantes. Também os padres do Educandário assumiriam o serviço pastoral da Santa Casa.
Uma carta do superior provincial datada do dia 20/12/1957 anuncia a nova fundação de Marília, pede voluntários para ir trabalhar no Brasil. Eles têm até o dia 29 para se manifestar. 50 religiosos canadenses se oferecem para ir trabalhar no Brasil. Uma circular do Pe. Provincial, do dia 30/12/1957 torna oficial os nomes dos 6 RSV canadenses escolhidos. São eles: os padres Emile Fournier, Gabriel Fortier, Gervais Labbé, os irmãos Léger Darveau (Ir. Léo), Roland Vidal e Jean Guy Elliott.
Marília, 1958
No dia 23 de janeiro de 1958, chegam no Aeroporto de Marília, os 6 primeiros RSV no Brasil: Pe. Emílio, Pe. Gabriel, Pe. Gervásio, recém-ordenado com 28 anos, Ir. Léo, Ir. Vidal, e Ir. João com somente 25 anos. Uma acolhida calorosa os espera. O Sr. Bispo, o provedor da Santa Casa, os Irmãos do Sagrado Coração e demais autoridades estão presentes no Aeroporto de Marília. Até uma banda de música estava lá. Vão para o Educandário. Trabalhos de limpeza e de organização ocupam o 1º mês dos RSV. É preciso preparar a chegada dos primeiros “internos” marcada para o dia 16 de fevereiro. Pe. Gabriel e Ir. Léo deixam Marília e vão para Salgado Filho assumir o pastoreio de um povoado distante 125 Km de Marília. No dia 27 abril funda-se a Paróquia Santa Isabel tendo como 1º pároco o Pe. Emílio. Em junho nasce o PATRO de Marília dirigido pelo Ir. João nos locais do Educandário. Ir. Vidal, não conseguindo se adaptar e tendo dificuldade no aprendizado da língua, deixa o Brasil e vai direto para a África onde os RSV trabalham. Na véspera do Natal, chega de navio do Canadá, Irmão Maurício. Trouxe um “jipe”. Ir. Léo volta no Educandário de Marília e o Ir. Maurício vai juntar-se ao Pe. Gabriel em Salgado Filho. O 1º ano dos RSV no Brasil, em Marília, foi de intensas atividades para assumir OBRAS: O EDUCANDÁRIO, a PARÓQUIA Santa Isabel, o PATRO, obra de juventude. E em Salgado Filho, uma CAPELA rural. Todos vieram do Canadá como MISSIONÁRIOS, sem ter o conhecimento da língua portuguesa. É com ardor missionário que viveram este 1º ano em Terra de Santa Cruz.
Marília, 1959 – 1960
No dia 29 de junho de 1959, o superior provincial do Canadá, chega em Marília, com um novo religioso para a fundação de Marília. É o Irmão Léo Ducharme de 27 anos, que logo no dia da sua chegada passou a se chamar, Ir. Pedro. No dia 4 de setembro, o Pe. Gabriel e o Irmão Maurício deixam Salgado Filho para Marília. A mudança vem de caminhão. Muitas aventuras aconteceram até chegar em Marília. Tinha sido decidido a abertura do seminário menor nos locais do Educandário no ano seguinte. Ir. Maurício assumia a direção do Educandário no lugar do Ir. João (Jean Guy) que concentrou os seus esforços na organização do PATRO (obra de juventude) Ir. Pedro ficou com Ir. João para o PATRO. Pe. Gabriel ficou de organizar o seminário para o na letivo de 1960. O Pe. Gervásio atuava como vigário paroquial, ia às capelas rurais, capelão da Santa Casa, dava um mão aos educadores do internato, mas principalmente se dedicava a obra do PATRO com os dois Irmãos João e Pedro. Também em 1960 o Pe. Gervásio assumiu aulas de religião no Ginásio “Amilcare Matel”. Iniciou-se em 1960 o seminário nos locais do Educandário. Comprou-se um terreno para iniciar a construção do PATRO. Nestes 3 primeiros anos dos RSV em Marília, não havia muitos questionamentos pastorais. Foram 3 anos de fundação e manutenção de instituições: Educandário, Paróquia, Patro, Seminário, Capelas rurais, Santa Casa. As duas grandes preocupações pastorais dos RSV são: a JUVENTUDE e as VOCAÇÕES.
Um zelo missionário animava os 7 religiosos atuando em Marília. O prédio do Educandário se tornou uma verdadeira “casa de obras’. Já no fim do ano 60, 3 RSV deixaram o Educandário para formar uma 2ª fraternidade do PATRO: Pe. Gervásio, Ir. João, Ir. Pedro. Mudam para o prédio da Av. Brig. Eduardo Gomes ainda em construção.
Marília, 1961
O ano de 1961 será um ano de grandes decisões que vão marcar a nossa história até hoje. Desenha-se o rosto dos RSV no Brasil.
No dia 01 de janeiro, o Pe. Emílio, superior regional, anuncia no almoço festivo que o Pe. Gervásio foi nomeado assistente espiritual da JUC. No decorrer do ano, Pe. Gervásio funda a JEC no Colégio Cristo Rei e no Amilcare. Em janeiro e fevereiro o Ir. João fica seriamente doente. Em março nos deixa definitivamente, para voltar ao Canadá. O Patro está em crise, mas tentamos salvar a instituição. Continua a missa todo domingo para os membros do Patro, a bênção do Santíssimo no domingo a tarde e as reuniões semanais da Congregação Mariana. Ir. Pedro assume a direção do grupo das crianças e dos adolescentes. O Pe. Gervásio com o Ir. Léo tentam salvar o grupo dos maiores.
No dia 30 de julho, chegam do Canadá, o Ir. Real, que vem para trabalhar no Patro e o Pe. Cláudio, recém ordenado, vem assumir a responsabilidade do Seminário. No mês de agosto, um acontecimento político, a renúncia do Presidente Jânio Quadros marcará a equipe dos RSV.
A doença e a volta ao Canadá do Ir. João (Jean Guy) foi um choque para os 6 RSV ainda todos em Marília. Sente-se a necessidade de uma maior união entre nós. Começamos a falar de “equipe”. E as reuniões de equipe são sagradas. No Apostolado a co-responsabilidade se torna uma preocupação. O Pe. Cláudio vinha ajudar no Patro. Ir. Pedro ajudava no Educandário.
Em 1961, quase todos os RSV fizeram o curso por um mundo melhor. Voltávamos com idéias de pastoral de conjunto, de união das forças, de engajamento no problema social, de luta ao comunismo. A penetração do comunismo, principalmente no meio rural, através dos sindicatos: 9/13 eram sindicatos comunistas em Marília, despertou nos RSV o desejo de um trabalho social. O Pe. Gervásio se tornou em novembro de 61 o presidente fundador do movimento social cristão de Marília.
Marília, 1962
Novembro de 61, numa importante reunião dos 7 rsv em Marília, reflete-se sobre a realidade atual do Brasil e as suas conseqüências no apostolado dos RSV. São os primeiros passos de uma vida de equipe onde juntos pensam e decidem de uma ação apostólica sempre mais voltada para os problemas sociais. Um certo entusiasmo os anima e assim começa o ano novo de 1962. As palavras chaves são: RENOVAÇÃO, EXPERIÊNCIA PILOTO.
No Patro, com a colaboração do Pe. Cláudio, elabora-se projetos para a renovação do Patro. No Educandário, Ir. Maurício com a ajuda do Ir. Real, tenta-se umas experiências. O curso do “mundo melhor” tinha planos de renovação para todas as instituições.
Em março de 62, Pe. Cláudio com os seminaristas deixam o Educandário e entram na nova construção do Seminário. Ir. Pedro começa a dar aulas de religião na escola Amílcare. O Pe. Gabriel tirando férias no Canadá, encontra o Cardeal Roy para pedir-lhe para liberar, se for possível, o Pe. Oneil a fim de orientar os RSV na sua missão social no Brasil. O Pe. Alberto Boissinot, superior do seminário maior no Canadá, fica o escolhido para vir ajudar a turma dos RSV nas suas reflexões. Ele será o 1º a seguir o curso destinado aos estrangeiros, em Petrópolis. A atuação dos RSV nos problemas sociais vai levar o chefe dos comunistas de Marília a atacar publicamente os “padres canadenses”. O nosso seminário se tornou o lugar de reunião de professores universitários, discutindo a problemática social do Brasil. Então organiza-se uma grande concentração na Av. Sampaio Vidal para defender os “padres canadenses” dos ataques dos comunistas.
No mês de agosto de 62, o Bispo de Marília cede aos RSV a “Casa Verde” no centro da cidade para transformá-la em centro diocesano de animação pastoral. Em vista da organização desse centro, o Pe. Gervásio visita o Centro Pio XII de Campinas. Aconselham ao Pe. Gervásio visitar Natal, no Nordeste, onde a Pastoral de conjunto está muito bem organizada e de ficar um mês pregando retiros para pagar a sua viagem. O responsável do Regional do Nordeste, o Bispo de Natal, confiou ao Pe. Gervásio a missão de lançar o plano de urgência do Episcopado nas províncias eclesiásticas do Norte. Um telegrama de Pe. Emílio autorizando-lhe a aceitar a proposta do Bispo de Natal, Pe. Gervásio fica mais alguns meses no Nordeste e Norte.
Marília, 1962
O sopro de renovação mexeu também com a nossa preocupação vocacional. O avanço do comunismo e o medo de ser obrigado de deixar o Brasil por sermos estrangeiros ativou o nosso zelo vocacional. Fizemos um folheto vocacional. Tínhamos um seminário menor. Mas procurávamos vocações adultas. Conseguimos cinco jovens postulantes: Jamil, Wilfrido, José Cornetti, Oscar e Minoro. Quatro iam fazer o noviciado como irmão leigo. O Pe. Gabriel, mestre dos noviços nomeado, foi tirar férias no Canadá para poder, na sua volta, iniciar o noviciado. No dia que ele voltou, não tinha mais postulantes e a noite era a famosa concentração na Sampaio Vidal em desagravo aos “padres canadenses”. A equipe dos RSV tinha uma preocupação maior para as vocações de “irmãos”, pois queriam religiosos brasileiros para continuar obras em caso de expulsão dos canadenses RSV.
Em agosto, Ir. Pedro participou de um encontro de catequistas no Rio de Janeiro. O Pe. Emílio, pároco de Santa Isabel confiou-lhe a preparação das crianças à primeira comunhão. Penetrando o meio dos catequistas paroquiais, Ir. Pedro viu o seu campo de ação aumentar consideravelmente. Organizou uma sala para as catequistas da cidade no Centro Diocesano.
Em novembro de 62, o Patro estava quase que exclusivamente nas mãos do Ir. Real. O Pe. Gervásio estava no nordeste. O Ir. Pedro estava cada vez mais implicado na coordenação da catequese da cidade de Marília. Pe. Cláudio, diretor do Seminário, atuava nos grupos da JEC (juventude estudantil católica). Ir. Maurício labutava no Educandário. Ir. Léo, no seminário, prestava serviços a todos. O Pe. Alberto assumiu com muito zelo as equipes de casais de Nossa Senhora e um grupo de jovens universitários (JUC). Pe. Emílio, superior dos RSV no Brasil dedicava-se como pároco da Paróquia Santa Isabel. Era uma equipe de 9 religiosos (5 padres, 4 irmãos) todos canadenses, uma equipe relativamente jovem, muito mais voltada para uma pastoral de animação diocesana que para as instituições que acabavam de fundar. O engajamento social e a participação ativa na pastoral do conjunto marcam o fim do ano 62. Estuda-se a missão social do Educandário. Projeta-se a construção de uma casa de estudantes como anexo a construção do Patro. Em parte, era para os meninos do Educandário, obrigados a deixar a instituição aos 14 anos. O Patro não respondia aos desejos dos RSV, queríamos o Patro integrado numa pastoral de juventude diocesana, numa pastoral de conjunto. O Patro (obra de juventude) ficava como uma pedra no sapato da equipe dos RSV em Marília.
Marília, 1963
Uma nomeação de superiores em julho 62, para as 3 casas que tínhamos em Marília, criou um certo mal estar. Todos desejavam uma visita do superior provincial do Canadá paranormalizar a situação. O Pe. Dumas (Pe. Renato) chegou de repente no início de dezembro 62 para uma visita que trouxe a todos conforto, alegria e paz.
O Pe. Gervásio recebeu a\ licença de integrar a equipe dos pregadores “do Mundo Melhor”.Já no dia 26 de dezembro, ele deixava Marília para o Nordeste, a serviço do Episcopado. P Pe. Alberto foi nomeado superior do Patro (obra de juventude) encarregado da sua orientação espiritual, cuidando particularmente da congregação marial. Ele criou alguns cursos de promoção humana especialmente um curso de alfabetização de adultos. O Irmão Real ficou com a organização prática do Patro; esporte e grupos de liderança.O Irmão Pedro foi liberado para organizar a Catequese paroquial e sobretudo o culto nas capelas rurais no domingo. Em janeiro 63, organiza um congresso de catequistas e funda o movimento catequético de Marília. Continuou a dar aulas de religião no Ginásio Amilcare.
O Pe. Emílio volta para o Canadá em janeiro 63. O Pe. Gabriel fica como pároco de Santa Isabel. Divide a paróquia em setores, lança celebrações nos bairros. Também assumiu a responsabilidade de Superior Regional. Pe. Cláudio participa de encontros de reitores de seminários menores. Questiona-se a validade destes seminários. O Concílio Vaticano está em plena atividade em Roma. Pe. Cláudio é assistente espiritual de equipes de casais. Irmão Léo presta mil serviços às pessoas do novo bairro que nasce perto do Seminário e ajuda o Pe. Cláudio no Seminário. O Irmão Mauricio continua como responsável do Educandário. O Pe. Gervásio que esta trabalhando no Nordeste, nos visita de vez em quando nos incentivando à vida de equipe.
Em 63 vivemos o fortalecimento da vida de equipe que passa a ser na prática, a “autoridade” tanto no plano pastoral quanto no plano espiritual.
No nível do trabalho apostólico, conhecemos uma diversidade de campos de trabalho, cada um tendo uma tarefa específica.
Folha Leprevociana (1 a 10) Pe. Pedro Ducharme s.v.
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