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Homilia do Jubileu
Homilia do Jubileu de Ouro dos Religiosos de São Vicente de Paulo
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Reverendíssimo Pastor, Dom Osvaldo Giuntini, Prezado Superior Geral, Pe. Yvon Laroche, Irmãos e Irmãs das várias famílias Religiosas que vieram celebrar essa festa conosco, Meus Irmãos RSV, Queridos Irmãos e Irmãs na fé!
Louvado Seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
“Como é grande, Senhor, a tua Bondade” (Salmo 31,20)
No dia 23 de janeiro p.p. do ano de 1958 chegava ao Brasil a primeira Equipe de Religiosos de São Vicente de Paulo: Pe. Emílio, Pe. Gervásio, Pe. Gabriel, Ir. Léo, Ir. Vidal e Ir. João. Por meio desta Eucaristia queremos render graças a Deus, em primeiro lugar, pela decisão da Congregação que aceitou esse desafio: evangelizar numa terra distante. Destacamos aqui o ardor missionário de nossa família religiosa, cujo lema: “Que de todas as maneiras, o Cristo seja anunciado”. Olhando com os olhos da fé para a nossa história, constatamos “que tudo concorreu para o bem daqueles que amam a Deus”. Queremos render graças a Deus, nesta celebração, pelos nossos primeiros missionários que vieram ao Brasil. Da primeira equipe, dois ainda estão no meio de nós (Pe. Gabriel e o Pe. Gervásio). Aceitaram o desafio sem medir a distância, sem conhecer a língua; sabemos que enfrentaram muitos desafios, mas vieram por amor a Cristo e ao seu evangelho. Vieram para ANUNCIAR A LUZ. São Mateus, no Evangelho de hoje, ajuda-nos a entender que a Luz não é um fenômeno cósmico, como diz a tradição da Epifania, simbolizado na estrela radiosa; a LUZ é uma pessoa: Jesus Cristo. Assim, esses nossos irmãos vieram “plantar o nosso Carisma em solo brasileiro”.
“O Senhor é bom, a sua bondade dura para sempre, e a sua fidelidade de geração em geração”. (Salmo 100)
A caminhada histórica de nossa Congregação foi marcada pelo compasso de tantas notas musicais; pela sintonia às notas do criador, o nosso agradecimento; por algumas desafinações, o nosso pedido de perdão. Nesses anos, desde a nossa chegada, caminhamos como Equipe de Missão, como uma Região, como Vice-Província e Província. Pelos inúmeros Religiosos Sacerdotes que exerceram a missão do Pastoreio em nossa família. Pelos vários Religiosos Irmãos que fizeram parte dos diversos Conselhos, o nosso agradecimento, a nossa ação de graças a Deus. “Na sua bondade soberana, Deus quis comunicar a alguns homens uma parte de sua autoridade: eles não teriam nenhum poder, se não o tivessem recebido DELE. Os superiores, favorecidos com alguma efusão de sua divina caridade, são chamados a amar e a conduzir seus irmãos a exemplo do Bom Pastor” (C. 221).
“Quero agradecer ao Senhor num belo canto de Louvor. Irmãos cantem comigo a Glória do Senhor” (Salmo 29).
Não poderia deixar de destacar e agradecer a Deus pelas vocações que ele nos presenteou. Cada membro de nossa família (Padre e Irmão) é precioso aos olhos de Deus. Olhando a história vimos o cumprimento da palavra de nossas Constituições que diz: “Asseguraremos as vocações à nossa Congregação antes de tudo pelo testemunho de uma comunidade fervorosa, alegre e unida na caridade” (C. 173). Prova da fidelidade do Senhor são os Votos Perpétuos do Ir. Geraldo Magela. É mais um sinal da bondade de Deus para com a nossa família religiosa. Muito obrigado Irmão Geraldo pelo seu SIM DEFINITIVO A DEUS. Bendito seja Deus pela vida de cada Irmão, pela vida de cada Padre que continua rezando e dando o seu testemunho de consagração realizada e feliz. Nesse ensejo quero ressaltar os 25 anos de sacerdócio do nosso querido Pe. Cléber comemorado no último dia 15. Parabéns Pe. Cléber! Pela tua vocação e pelo serviço prestado à nossa Congregação! Pelas equipes da Pastoral Vocacional e da Formação que trabalharam durante esses anos todos. Deus cumpriu para nós a sua fidelidade! Rendamos graças à Ele.
“Como é grande, Senhor, a tua Bondade” (Salmo 31,20).
Agradeço e bendigo a Deus pela expansão de nossa Congregação aqui no Brasil. Pela nossa presença em Marilia, em Presidente Prudente, Jundiaí, São Paulo e na Região do Nordeste. Nessas implantações, “vivendo plenamente nosso carisma, realizamos no seio da família Diocesana nossa pertença à Igreja”. (C. 228). Por isso, na pessoa de Dom Osvaldo, queremos agradecer e bendizer a Deus por todos os BISPOS com quem trabalhamos nas Igrejas onde estamos. Igualmente, quero cantar louvores a Deus pela presença dos LEIGOS em nossas obras e comunidades. Sem vocês que trabalham conosco, que caminham conosco, não viveríamos o nosso carisma e nem cumpriríamos a nossa missão, com todas as suas exigências. A nossa regra de vida diz: “Em colaboração com os leigos animados pelo nosso espírito, trabalhamos na edificação do Reino de Deus, ao mesmo tempo que na construção de um mundo mais justo e mais fraterno. De acordo com nosso carisma, temos uma acentuada predileção para com os pobres e os pequeninos, e fazemo-nos defensores das vítimas da injustiça social” (C. 138).
“Quero cantar ao Senhor por todo o bem que ele me fez”.
Celebrar o Jubileu de Ouro nos remete ao hoje da nossa história. Agradecemos ao Pai pelos que marcaram a história ao longe destes 50 anos e que hoje estão intercedendo por nossa caminhada, no Céu (pelos leigos, padres e Irmãos). Queremos rezar por todos os que se doaram ao Reino de Deus em nossa Congregação aos longos desses 50 anos e que ainda estão entre nós. Muitos se encontram aqui no meio de nós. Sabemos que o ontem é semente do hoje da história. O mesmo Deus que esteve presente desde a nossa FUNDAÇÃO, nos impulsiona a continuar, a lançar as redes para o alto mar, como nos lembrou o saudoso Papa João Paulo II alguns anos atrás. “Avance para as águas mais profundas” Lc 5, 4. O Papa nos lembra que “Há uma tentação que sempre nos envolve em todo caminho espiritual e também na ação pastoral: pensar que os resultados dependem da nossa capacidade de agir de programar. É certo que Deus nos pede uma real colaboração com a sua graça... mas aí de nós, se esquecermos que “sem Cristo, nada podemos fazer” (cf 15,15)”. A propósito deste convite, a liturgia deste 3º domingo do TC nos exorta a entrar nas trevas sem medo, carregando sempre a LUZ que é Cristo. Na Palavra de Deus deste domingo, encontramos dois modos para acender Cristo-luz entre nós e no mundo.
O primeiro é seguindo Jesus Cristo na radicalidade, deixando os barcos e redes da segurança humana na praia, como fizeram os primeiros discípulos (Evangelho). ü Temos que assumir na própria vida a confissão do Salmo 26: “o Senhor é a proteção de minha vida, o Senhor é minha luz e salvação (...) perante quem tremerei?”. ü Não devemos ter medo de demonstrar ao outros que Jesus é a luz que veio iluminar o mundo; o único capaz de iluminar o mundo com as cores verdadeiras.
O segundo modo é vivendo a unidade na família-comunidade, como recomenda Paulo na 2ª leitura.
ü A desunião na família-comunidade é tão grave, que poderá provocar fraturas irreconciliáveis. ü Paulo deixa claro que a comunidade cristã é obra da redenção de Cristo e não de pregadores. Enganam-se aqueles que seguem os pregadores, pois estes são apenas instrumentos nas mãos de Deus. ü O mais importante é seguir Cristo.
“Encha tua alma de alegria”. O Senhor te deu auxílioOuviu a tua prece, realizou os teus desejos. Alegra-te com a tua vida, e nunca serás confundido”.(Salmo 20)
A “nossa profissão” como cristãos, o nosso ofício é viver em Cristo, como diz Santa Teresa: “Só Deus basta!”. O nosso fundador, o Pe. Lê Prevost entendeu bem essa união, quando diz: “Quem vê Jesus de perto e com um coração reto, não pode mais deixá-lo. Quem conheceu Jesus, conhece tudo, quem ama Jesus não tem mais outro AMOR. Quem tem Jesus possui todo o bem”.
A história continua em nós... Aos leigos que trabalham conosco, aos padres e aos Irmãos RSV, eu digo: perseverem na vivência do nosso carisma. Ele é dádiva de Deus à Igreja. Vamos espalhar essa chama da caridade neste chão brasileiro que sofre toda espécie de maus tratos.
Aos RSV da nossa Província do Brasil. Eu conto com as vossas orações, com o apoio fraterno de cada um e com a ajuda de todos vocês para entrarmos com esperança e fé rumo ao nosso centenário! Como já havia dito noutra ocasião, retomo: agradeço o testemunho e a coragem dos nossos “Patriarcas” que estão entre nós carregando a todo vapor, o símbolo da fé e o amor à Vida Religiosa. A todos esses nossos “Irmãos mais velhos”, o nosso muito obrigado. Queremos continuar contando com o apoio e a firmeza de vocês. Aos mais jovens, quero dizer: vocês são a esperança da nossa Província! Contamos com o entusiasmo e a força missionária de vocês!
“Bendize, ó minha alma ao Senhor, Ele é meu Deus, grande como ninguém. Senhor, quão grandiosas são vossas obras. Todas elas são feitas com muita sabedoria. Enquanto eu viver, cantarei a sua glória. Louvarei o meu Deus por toda a minha vida”. (Salmo 103)
Pe. José Carlos Rodrigues, s.v. Marília, 27 de janeiro de 2007 Jubileu de Ouro dos Religiosos de São Vicente de Paulo no Brasil.
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